10 • Parque da Juventude, 001, 002 • São Paulo, (Br.) • Paisag. : Rosa Grana Kliass, 2003 • (Fotos 2012)

A circulação das sombras

Marcado para sempre pelo massacre de Carandiru de outubro de 92, o Parque da Juventude é um apelo à memória, numa metáfora vegetal tão descabelada quanto a violência do drama. Num emaranhado de passarelas, de alamedas traçadas entre as ruínas de um concreto judiciosamente conservado, protegido ao pé do antigo caminho de ronda da prisão, um quadrado de 150 m de lado respira a luz que filtra entre a folhagem. No ângulo de dois muros tão altivos quanto ameaçadores surge um gesto de humanidade, ao mesmo tempo necessário e doloroso. Doloroso pelo que lembra e que é necessário lembrar. Necessário porque a vida que ressurge aqui com natural elegância afirma-se com uma modéstia que a honra, conservando sua fragilidade na sombra da história que evoca com sua energia. Neste quadrado da lembrança, canta uma música em que cada folha de exuberância ecoa, apaziguada e forte da homenagem prestada com graça e humildade.