57 • Jardim Atlântico, 001 • Paris (75014) (Fr.) • Paisag. : Christine e Michel Péna, Michel Brun, (desde 1994) • (Foto 2010)

A façanha Atlântica

“Quando chegamos para trabalhar no “jardim Atlântico”, não havia local concreto, físico. Havia essas grandes barras de prédios em volta, um grande vazio no meio, e o céu. Atlântico.
Então, demos vazão ao imaginário, tínhamos de encontrar recursos próprios para inventar uma história, a fim de poder construir um jardim. Apesar de tudo. Afinal, estávamos num lugar suspenso no meio do nada, a não ser acima dos trilhos da estação de Montparnasse... Nomear o lugar é uma maneira de constituí-lo no nosso imaginário. Podemos então começar a tecer motivos para fazê-lo. O “jardim Atlântico” é tipicamente um jardim impossível. Estamos numa laje de concreto de três hectares e meio, com cento e trinta e seis buracos de naturezas variadas... Tal acúmulo de limitações foi benéfico porque nos forçou a pensar na urbanização deste sítio para realizar este jardim apesar de tudo...
No meu entender, temos hoje que inventar uma terceira natureza. É o que estamos tentando fazer modestamente nos jardins. Os equilíbrios do mundo sofreram tantas transformações, a primeira natureza foi tão emendada com a segunda que hoje é preciso inventar essa terceira natureza se quisermos equilibrar uma harmonia entre os homens e seu meio (seu exterior).”
(Michel Péna in “Des jardins dans la ville”/Michel Corbou, arte/La Martinière, Paris, 2011)