28 • Orto Botanico, 001, 002 • Palerma, Sicília (It.) • Arquit. : Léon Dufourny, 1786 • (Fotos 2010)

A viagem das plantas

Mimosas, cítricos, jacarandás ; peras e maçãs, tomates, chá ou especiarias são comuns hoje nos nossos jardins e nas nossas mesas. Todas essas e uma imensa multidão de outras espécies comestíveis ou decorativas, consumíveis ou exploráveis pela agroindústria, são migrantes da viagem das plantas. Sem fronteiras e sem documentos de identidade que ninguém poderia ter emitido. Frutos do acaso e de múltiplas experimentações científicas aperfeiçoadas no decorrer dos séculos, enriquecem com suas especificidades tanto estéticas quanto práticas, as aventuras do gosto. (A dália veio do Peru para a Europa quando se pensava que o rizoma alimentaria a população. Se não chegou a alimentar ninguém, está ornamentando os jardins.) Os jardins botânicos, muitas vezes povoados por ordem de soberanos clarividentes, foram as antecâmaras dessas viagens cujas catedrais de vidro são para sempre os eternos ícones. Assinalam a necessidade de aclimatação das espécies imigradas involuntariamente e a necessidade de respeitar o tempo da terra para permitir a transformação das espécies. No auge do OGM e do DNA, os herboristas contemporâneos trocam códigos informáticos para patentear o mundo vivo. Será que precisa quantificar e pagar tudo para viver ?