19 • Palácio da Regaleira, 001, 002 • Sintra, (Port.) • Arquit.-decor. : Luigi Manini, desde 1910 • Fotos 2011)

Elogio da loucura*

Os séculos 17 e 18 viram os jardins dos mais abastados ganharem pavilhões, grutas, pirâmides, naumaquias, templos do amor e outras construções simbólicas ou esotéricas, de uso eventualmente muito íntimo. No vasto parque infantil do jardim europeu, essas “Loucuras” constituem as balizas que autorizam, dependendo do saber dos visitantes, leituras complementares e misteriosas. A tradição dessas arquiteturas “sem função” espalhou-se da Itália à Grã-Bretanha, da Alemanha à França, e, mais tardiamente, em Portugal. Símbolos de um período da história onde a acumulação muito restrita das riquezas permitia essas construções de pequenos édens, essas “Loucuras” são também uma manifestação do sonho, do onirismo e da gratuidade do desejo de construir. Se o economismo reinante desde a Revolução Industrial varreu esse gosto pelo maravilhoso, parodiando-o mais recentemente por um culto à ostentação espalhafatosa, é lamentável que essa tradição de encantamento tenha desaparecido totalmente da paisagem idealizada. Apesar das raríssimas tentativas de reencantar o mundo. No parque desta magnífica quinta portuguesa espalham-se essas construções realizadas por Luigi Manini, arquiteto, pintor e cenógrafo da Scala de Milão. Desse encantamento “filosófico”, a mensagem permanece oculta, mais de um século após sua construção.
NdT : *Em francês, folie (loucura) é o nome dado nos séc. 17 e 18 às quintas usadas pelos donos para se recrear.