24 • Jardim do Palais-Royal, 001 • Paris, (75001) (Fr.) • Paisag. : redesenhado por Mark Rudkin, 1992 • (Foto 2009)

O silêncio da memória

Será que o transeunte que aproveita o profundo silêncio povoando o centro de Paris sabe que está seguindo os passos de Richelieu, Luís XIV, Molière, Diderot, Balzac, Gérard de Nerval e muitos outros ainda, entre os quais muitas mulheres ditas fáceis ? Até os três mosqueteiros de Dumas farrearam por aqui. Este palácio continua sendo real de nome, embora abrigue hoje a Comédia Francesa, o Conselho Constitucional e o Ministério da Cultura, legítimos republicanos. Este palácio “cardeal” tornou-se real quando legado por Richelieu a Luís XIII, e Luís XIV passou nele a infância. Mais tarde, o duque de Orléans, proprietário por um período, proibiu o acesso à polícia e alugou espaços, rapidamente ocupados por cafés e outras espeluncas. Encontravam-se aí muitos artistas e intelectuais, assim como muitas moças que achavam ali sua clientela. Nesses cafés, as ideias das Luzes e da Revolução de 1789 acharam o espaço necessário para os debates que levaram à transformação do mundo, antes que este voltasse à ordem com a Restauração de Luís-Felipe, que fechou as espeluncas e os cafés e expulsou as provocantes
transeuntes.
Hoje, o transeunte encontra lá um silêncio bastante carregado de memória.