68 • Parque do Castelo de Courances, 003 • Milly-la-Forêt, (91490) (Fr.) • Paisag. : Cosme Clausse (1552), redesenhado por Achille Duchêne por volta de 1900. Mantido desde então pelos proprietários • (Foto 2012)

Uma higiene do olhar

É uma vasta propriedade sem alamedas nem caminhos. O céu, as árvores, os espelhos d’água e as amplas extensões de ervas bastam para o prazer do passante. A limpidez e a pureza das águas, distribuídas nos dezessete espelhos d’água abastecidos por quatorze fontes, permitem às árvores seculares (os plátanos foram plantados em 1782) contemplar suas imagens. Já disseram de Courances que era o único parque ao mesmo tempo clássico e romântico. Reúne cinco séculos de história dos jardins numa estética minimalista em que algumas poucas esculturas ritmam o percurso do passante, perdido no meio desses horizontes sem fim na vibração do ar e da luz. Apesar das diversas transformações realizadas durante a sua longa história, esse jardim criado antes de Vaux-le-Vicomte e Versalhes conserva uma rusticidade característica da primeira metade do século 17. Pelo volume das árvores delgadas e a ausência de “distrações ornamentais”, é um lugar que limpa o olhar dos excessos da cidade. Por essa sobriedade na imensidão, inscreve-se na tradição higiênica dos parques. Ao longo dos séculos, Courances impõe-se como um dos maiores territórios dessa medicina do olhar e da mente.