69 palavras 27 Uma perenidade enganosa

Uma perenidade enganosa

Esta imagem serena parece representar uma Paris imutável, de uma perenidade afirmada. Entretanto, numa entrevista recente, o paisagista Louis Bénech disse-me, a respeito das Tulherias adjacentes ao jardim que reabilitou com Pascal Cribier : “Olha, quando Le Nôtre fez as Tulherias, a rua de Rivoli, que hoje ladeia o jardim, não existia, o Sena era um riacho pútrido no verão, a praça da Concórdia, um pântano. Não havia, portanto, o Obelisco, nem os Campos Elíseos e menos ainda o Arco de Triunfo na linha do horizonte. Então, a perenidade do jardim ? Digamos que tem mais ou menos a mesma expectativa de vida do jardineiro, o que já é alguma coisa.” No aproveitamento da cidade, corpo altamente variável, nenhuma paisagem é fixa. As muitas evoluções vão deixando marcas sucessivas que levam em conta o desgaste das formas, dos materiais e dos gostos. Ao contrário da sociedade japonesa que reproduz seus jardins mais famosos sem nada mudar há séculos, a paisagem europeia não busca a eternidade. Escreve-se numa temporalidade do instante. Por definição, mutável e evolutivo, como o vegetal que é o primeiro ocupante.