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A ilhota selvagem

No meio de uma mineralidade imponente em que os prédios de escritórios, a estação do trem-bala, os conjuntos habitacionais levam a assinatura de alguns dos mais famosos arquitetos europeus (Koolhaas, Portzamparc, Nouvel, Vasconi...), Gilles Clément soube impor nessa finitude que visa à eternidade um aleatório isolado, inconstante e bem-vindo. Essa referência à pangeia vive ao bel-prazer do vento e dos pássaros dispostos a espalhar sementes. A mais de seis metros de altura, totalmente inacessível, este jardim “espontâneo” enriquece-se com os acasos mais indômitos. Como se Clément quisesse inocular o vírus da vida no meio deste sonho de arquitetos pós-modernos. Criado para servir de base de estudo ao desenvolvimento da biodiversidade em meio urbano, a ilha Derborence sofre, entretanto, de uma lamentável falta de interesse da comunidade científica.