69 palavras 54 Embusca
de horizonte

Embusca de horizonte

No coração de uma imponente mineralidade urbana, entre o rio Sena e o novelo de vias férreas partindo da estação de Austerlitz, este jardim público deve mesmo ser o único a que não tem acesso. Essa evocação do claustro monástico (no nosso mundo do consumível, as bibliotecas não são lugares de exceção ?) é um espaço de busca do horizonte de sua própria imaginação. A frustração provocada por sua inacessibilidade multiplica a sua força de atração. Por essa potência fora de alcance, ele preenche o leitor/pesquisador com uma força tranquilizante em que a monumentalidade dos volumes e dos vazios das salas de leitura encontra seu ponto de equilíbrio na flexibilidade de um vegetal fora de alcance. Pela resistência ao contato, abre o olhar para o infinito.