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Utilidades publicas
Foram operários no início do século 20, por iniciativa do abade Lemire, antes de serem familiais, na década de 50, celebrados por Doisneau, Boubat, Charpentier... Seguindo a tendência atual, essas hortas foram rebatizadas de “compartilhadas”. Como um tapa-sexo sobre a dureza e o individualismo das cidades contemporâneas. Independentemente do indispensável convívio que propiciam, esses jardins alimentares revelam, pelo aumento considerável, a necessidade de achar uma solução às quedas gerais de salários e ao desemprego. Sua multiplicação desmedida às portas de Moscou, Detroit, Nova York, Paris, e outras metrópoles, é um dos sinais mais aparentes da crescente pauperização da grande maioria dos urbanos que nos tornamos em um século.
“Acho que o importante é a preocupação com o uso do comum. Trabalhamos muito no espaço da moradia em subúrbios quentes. Antes de falar em flores, beleza, jardins e paisagem, é preciso ter primeiro a vontade de resolver o problema extremamente material da funcionalidade. É preciso prestar uma atenção bem específica no uso que os moradores fazem do espaço. E quando se faz um jardim, é preciso que ele respeite as evidências de circulação, que seja extremamente claro e não perturbe os trajetos lógicos.” (Michel Péna in “Des jardins dans la ville”/Michel Corbou, arte/La Martinière, Paris, 2011)