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Das Mediterrâneas

Das Canárias, da Califórnia, da Austrália, da Nova Zelândia, do México, do Chile, da África do Sul ou da Ásia subtropical, as plantas e árvores foram selecionadas e trazidas por todos os grandes viajantes entusiastas que acompanharam Gilles Clément no seu projeto. Essas paisagens mediterrâneas (feitas de vegetais oriundos de climas semelhantes) não são coleções de plantas. Nenhum sinal aqui, portanto, de etiqueta como em tantos jardins botânicos cujo nome já basta para afugentar os menos entusiastas. Os jardineiros e animadores guiam (unicamente mediante solicitação) os visitantes mais preocupados em aprender. Outros preferem o empirismo de um passeio mais sensitivo, guiados pelas cores, as formas, um farfalhar na folhagem Os mais sensuais hão de preferir, sem dúvida, a visita noturna mensal, na lua cheia, quando os aromas dominam todo o espaço, outorgando alguns segundos ao voo de um pássaro.
Este jardim de todos os sentidos, onde a vegetação nativa sabe demarcar firmemente seu território, recebe cerca de 90 mil visitantes por ano e não quer mesmo ver aumentar a frequentação de forma desconsiderada.
É preciso deixar lugar para o vegetal nos casamentos inesperados entre continentes, preservar esse artifício improvável e encantador do pisoteio e das degradações.