A terra, vista do chão

A terra, vista do chão

Se a grande maioria das imagens realizadas no Aterro do Flamengo são vistas aéreas é porque o amplo movimento gráfico que se desenrola de uma ponta à outra da baía de Guanabara reúne uma soma rara de qualidades, e se inscreve no chão num gesto harmonioso, jogado num papel que foge do padrão. Desenho apurado, variedade dos materiais e das cores, ritmos múltiplos das áreas desenhadas, sucessões de curvas e perspectivas que vêm misturar as referências visuais de uma paisagem “que caiu do céu”.
Mas que caiu tão bem que precisa percorrer a pé a extensão, contornando as árvores ou os maciços, descobrindo os mil pontos de vista que se oferecem, ao mesmo tempo complementares e contraditórios, para perceber o exato trabalho de proporções perfeitamente calculadas, a harmonia das escalas e o seu uso, que permitem a circulação do pedestre passeando tão perto dos carros que a velocidade se mantém fora de foco. Em outro ponto, um anfiteatro aberto para o mar recebe quem quiser entrar, num desenho que achou seu lugar : o do andarilho urbano na ágora compartilhada.