A vitrine democrática

A vitrine democratica
Não há melhor vitrine para um jardim que o foyer de um teatro nacional. Local por excelência da palavra pública levada ao extremo no espaço da liberdade, o teatro recebe nas suas palavras toda a riqueza dos ouvidos atentos e exigentes que vêm aqui buscar inúmeras músicas do sentido. Local de tradição vermelho, dourado e preto, o prédio-teatro inscreve-se no pináculo dos ícones de certa reverência à arte institucional. Poucos arquitetos souberam renovar suas formas, estruturas, materiais, que condicionam a recepção dos públicos. No teatro de Brasília, a imensa vidraça inclinada presta-se à eclosão de um mil-folhas suspenso como estratos revelados pelas escavações de um verbo livrado em todos os sentidos, a todos os espectadores.