Das hospitalidades

Das hospitalidades

Em qualquer cultura e geografia, um hospital é feito para cuidar, reparar, deixar o corpo em equilíbrio com a vida. Na medicina tradicional isso passa pela calma, o silêncio, o tempo para olhar as nuvens e as flores, o tempo de escutar o vento: o tempo de sentir e perceber. Tanto quanto pelas medicações necessárias e apropriadas. Daí a presença inevitável de magníficos jardins mais ou menos profusos dentro dessas estruturas de hospitalidades. A medicina contemporânea parece privilegiar uma medicação química acelerada e a ocupação das mentes pelo funcionamento contínuo de televisores nos quartos dos pacientes. E os funcionários, embora maravilhosamente atenciosos, não têm mais tempo para levar os pacientes aos jardins. As políticas de gestão do corpo de curto prazo exigem a volta mais rápida possível ao circuito do corpo consumista, aumentando o fluxo das despesas em detrimento da economia do ser. Para o maior benefício dos incorporadores ávidos por áreas construtíveis. Na Europa, esses jardins de hospitalidades estão desaparecendo aos poucos.