Uma profusão transbordante

Uma profusão transbordante

Assim como uma cidade em que nunca se sabe o que é natural, cultivado, espontâneo, cuidado, ou perfeitamente selvagem, a vegetação do Parque Lage parece esparramar-se, transbordante e generosa, servida por uma profusão de espécies. No topo das árvores, os macacos camuflados voam de galho em galho, zombadores e brincalhões. Em outro canto, dezenas de famílias organizam piqueniques gigantes para uma prole variada. A policromia das toalhas esticadas no chão cobertas de pratos fartos brinca com as sombras projetadas por um sol implacável. Na vizinha escola de arte, escondida no sopé do Corcovado, o pátio recebe turistas e cariocas, passantes maravilhados por esse cenário de festa. Nesse dia, o Parque Lage é um exemplo perfeito da necessidade absoluta do jardim público onde arquiteturas insensatas disseminadas aqui e acolá lembram, faceciosas, as origens europeias de um projeto estético e social.